_tive agora uma sensação que remete àlguma sensação que eu já... senti... antes.
_Não entendi.
_algo me lembrou uma coisa que eu sei já ter sentido. o nome é déjà vu, não quis usar um termo que o senhor não iria entender.
Olhos bem abertos:
_E eu estou sentindo como se estivesse na lua e quisesse ir para Marte. Mas eu não vou. Eu não vou. É muito longe.
Levanta-se e sai.
sábado, 13 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Mimética Urbano-Moderna
Noite dessas me deparei com o que seria uma cena fantástica: sete coelhos na calçada.
Dirigia sozinho num trânsito de início de noite onde tudo era luz de postes e faróis. Nalguma hora daquelas que a fila não andou foi que os vi. Não acreditei. Todos lá, alvinhos. Pareciam querer atravessar a rua.
Coelha-mamãe à frente e seus seis filhotes pequenos. Bolotas brancas de uma brancura nada vermelha em meio a tantas luzes vinho-rubro-enegrecidas: eram-me o repouso dos olhos e do espírito. Deus queira eles ainda estarem lá quando eu passar.
Deus quis e não quis.
O mundo não poderia estar assim tão mudado. A vida dá limões aos montes quando se quer gotas de mel. Não ia ser dessa vez diferente.
Os ventos movem-lhes as orelhinhas, que na verdade são alças. Sem mais arrodeios, meus coelhos estão podres por dentro como minha cidade está podre por fora; o olhar cansado de um motorista míope não haveria de encontrar nada além de uma sempre azeda confusão de formas e cores. Bem intencionado que fosse. Eram sete sacos de lixo.
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
domingo, 30 de novembro de 2008
Cruzador Em Mim
_E agora que me percebo o peito livre, dói essa outra dor no mesmo lado esquerdo. Dor que dói em forma de Cruz, centrada na minha têmpora esquerda, com a base quase a se apoiar na boca. É torta a Cruz, é divina a dor. E, eu sei, o que fiz, o que queria fazer, o que deixei de fazer, o que deveria ter feito, tudo é razão para que ela se faça, mesmo que não seja ou mesmo não sendo, e sei que não é, específico o ato, porque não precisa ser: a dor é assim, como o gosto do sangue quando se corta o lábio, elevação na testa quando se bate a cabeça; não é castigo, é resposta. É, é. E na minha Cruz se pendura um rapaz do tamanho de um feto, que vai e vem e puxa e estica, modela e belisca como quem desconhece - e despreza - a dor que o outro sente. Por isso dói. Ele é um rapaz do tamanho de um feto, feto magro, feto miniatura, homem-esqueleto feto, que é tão ele mesmo, feto, quanto a Cruz que o sustenta e, sendo a Cruz a minha dor, dói em mim o que em verdade ele quem sente. Corpo intruso, persistente, vivo, frágil; em contato ao frio - tentei afogar o insuportável em compressa gelada - tremeu, contorceu a si e, convulso, agarrou-se a minha dor, sua Cruz, não como Aquele, mas como uma criança que abraça forte a mãe; abraça forte a mãe, de costas para o mundo. E, se nele doía, dóia em mim.
Três dias durou.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
antesdoá
Não lembro como se deu o trajeto das idéias, mas noite dessas fiquei a matutar sobre respostas para 'O que vem antes da letra A'. Não há sentido algum na pergunta, eu sei, e exatamente por isso foi que dediquei tempo considerável na elaboração de respostas. Em geral, achei-as ruim. Mas tomei nota.
Antes da letra A vem uma suspeita, uma intenção, dois olhos arregalados, uma boca semi-aberta.
Antes da letra A tem a margem de onde escorre tinta e sangue.
Antes do A vem um cacarejo rouco, seguido de outros dois em melhores condições.
Antes do A tem o silêncio.
Antes do A vem a dúvida, um gesto incerto, o medo de errar, a certeza de que não há resposta certa.
Antes do A vem a sede, a fome que não se explica, o choro convulso, compulsão, a vontade de dizer.
Antes do A tem qualquer coisa. Qualquer coisa.
Antes do A, há o que há entre e une a carne ao osso.
E há pixels luminosos em branco.
Há a sabedoria plena, a pureza do sentimento. Há um mundo de palavras sinceras.
Antes do A não há sentido. Sonho e beliscão.
Antes do A a gente acorda e não sabe onde está.
Se o tema me tivesse rendido um texto legal eu teria dúvidas entre as 4 respostas abaixo para ficar como desfecho. Cada uma carrega um tom diferente.
Antes do A tem um Bê ao contrário que - não sei por quê - é vermelho.
Antes do A vem o infinito. O zero. Ou o 'z'. Daí o alfabeto se fecha em círculo.
Antes do A a gente brinca, só brinca. Tem 'papai', tem 'mamãe', tem sorriso e brincadeira. Antes do A a gente bate a cabeça bem forte na quina e chora sem fôlego mesmo depois que passa a dor, porque a gente quer colo e atenção. Antes do A tem dor, mas tem mimo também.
Antes do A vem o pesar de quem diz 'adeus' em vez de 'até' - e queria mesmo era falar 'amor'.
sábado, 1 de novembro de 2008
A vaga
Procura-se uma vaga, mas estão todas ocupadas. Há um quê de poético, que têm todos os trocadilhos bobos, nas vagas que se ocupam. Porque se trata de uma vaga - espaço vago é o contrário de uma vaga ocupada. A vaga abdica do nome que de todo lhe representa e perde toda sua funcionalidade enquanto vaga, porque ocupada. Ocupada.
Isso me faz pensar em sentimentos e compromissos, relacionamentos, ciúmes e perguntas do tipo "Você me ama?". Avalio se posso usar disso para dar continuidade e escrever um bom texto.
Não.
Mas mais fácil seria se existisse algo em que definitivamente pudéssemos nos agarrar.
"Ser", e não sempre "estar".
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Espelhos e Olhos fechados
'Arte pela arte' é como crer no corpo como prisão do espírito. Libertar-se seria negar o mundo que se alicerça em imagens. Mas impraticável é (mesmo na minha mais praticável utopia que, descubro, não é tão praticável assim). Se o vento me levanta os cabelos, a mão naturalmente vai e afaga. 'Arte pela arte' se faz no cabelo despenteado sem querer.
**
'Arte pela arte' é admiração intensa, expressão individual. Independe de alheia aceitação. É o poema feito que não se mostra a ninguém. Por timidez, por receio. Do outro. De si. E feito o som que faz aquilo que cai e ninguém ouve, arte se faz ali - em cadernos fechados, em velhas gavetas, em papéis avulsos, nas cestas de lixo.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Joga 10
O texto que segue é essa redação com uma palavra alterada, outra em lugar modificado e oito novas acrescentadas - é o danado mal da edição.)
Certa estatística diz que passamos boa parte de nossas vidas dormindo. Presumidas oito horas diárias. Intenciona-se vender colchões, naturalmente. Mas utilizemos do mesmo recurso. Extendamos o tempo de tarefas corriqueiras para um vida inteira. Quanto tempo, por exemplo, não passamos dentro de um automóvel? Mais!, quanto tempo não passamos parados ao semáforo, à espera de verde luz - verde cor da esperança - que nos permita ir. "Seguir".
Dói-me pensar nisso. Tanto que busco alternativas para tais momentos - não mais prostituo meus ouvidos com as repetitivas e repetidas e repetidoras e repetirritantes músicas das rádios. Não que eu tenha inventado um novo "tetris". Não, não. O que faço é um bocadinho mais simples. Procuro observar. Assim simples. Observar. Desprendo-me do cinto de segurança, meto a cabeça para fora do carro, apóio-a nos braços, estes também do lado de fora, e pronto!, está montado o aparato. Refaço-me criança numa janela e eis que chega o mais difícil: despir-se dos preconceitos, dos filtros viciados que temos no olhar e no sentir.
Mas estou pegando o jeito. Não fecho as janelas, não travo as portas; olho o pedinte nos olhos e, se nada dou, digo "perdão", jamais "não tenho" - estaria a mentir. O cara do rodinho, boa-gente, já sei até o nome, "Marquinhos". A velhinha tem duas netinhas e problemas no coração. "Dona Amélia" carrega consigo cansada receita médica.
Um catador de latinhas. Maurício. Uma camisa suja de dar dó vestia. Igualmente sujo estava. Resolvo dizer o que significava a frase nela escrita. "Born to party". Nascido para festejar. Ele me pergunta o que é "festejar". "Fazer festa", digo. Ele sorri com melancolia. Eu não consigo dizer mais nada. A mensagem de otimismo que eu queria passar se afundou num mar de lágrimas dentro de mim. Lágrimas que não despejei. Afundaram-se em si, levantando e espalhando espumas de ironia.
Feitoironiaessadeescrever30linhasdistantesdotemapropostoepoucomeimportar. Amém.
E, sim, a nota foi zero.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dialogam
A pele dela que me disse, estava com frio. não a conhecia, não a conheço, mas muito bem eu sabia que estava. A pele dizia. e eu bem sabia, porque via. via seus pelos eriçados, os poros sobressaltados; Seu corpo dialogava com o meu olhar. e eu via o frio que ela sentia. não que eu a tenha tocado ou sentido do frio e presumido que estivéssemos ambos a sentir. eu simplesmente vi.
***
Caminhava apressado quase. À direita a praça, à esquerda o comércio, o banco num prédio alto à frente - pessoas, esquinas, caminhos. Um cheiro. Respirava sem compasso, o cheiro me arrebatou; agarrei-lhe num longo e pleno inspirar. Caminhei ainda um, dois, lentos, três passos antes de abrir os olhos - fecharam-se como que a procura de imagens na mente, dentro. Vivo algo senti. Cores, vozes, tudo o que me veio, o cheiro que trouxe. Procuro fora, prédios, esquinas, fétidos e fétidas e cheiro nenhum. Pessoas, caminhos. De novo lembro. Sigo. Entorpecido. Quase.
***
Precisava proteger os ouvidos. Papeizinhos, perfeito. Mas sujos e riscados, exigiria certo sacrifício. Devidamente amassados: boca. Amargo. E muito salivei. Tão ruim quanto mastigá-los e lhes sentir o sabor era saber que teria de engolir a papa que restasse. O pior passado, imprenso aos orifícios essas gomas e me escorrem nos dedos excessos de saliva. Não querendo enxugar nas roupas, decido por dar-lhes o destino nativo e: mãos aos lábios - com a língua, paradoxo, secá-las-ia. Fluida brincadeira, calça-me luvas o odor, o odor!? - resgata-se viva em mim a sensação de um beijo teu. (Ouvidos tapados, o intenso barulho soa longínquo e o silêncio me encapsula.) É odor este o mesmo daquele que me persistia na pele, na face, no corpo, onde tu osculasse? Sim, é. Mas a baba minha...? Porque em teus beijos, percebo, lambuzava-me de mim, comigo; e teu hálito, em verdade, emprestava-se do meu.
***
sei do teu sorriso quando ouço o chiado de um leve soprar entredentes. (há muito não te vejo, mas bem sei dos teus olhos, tua boca, bochechas e todo o resto quando em gargalhada estás desfeita - refeita - perfeita). ao telefone, podia ouvir e lembrar. agora, lembro do que ouvia, só daí lembro deveras. não sinto tua falta, porque estás comigo na lembrança - mas mais distante a cada vez. em não muito tempo, estarei vendo o que me lembra do que ouvi quando em teu toque em meus lábios um perfume....
Sinto tua falta.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Aboaonda
O pensamento que me consola é irremediavelmente egoísta - perdi a boa onda porque outras mais me estão reservadas adiante - quem sabe... Saberei. (Mar caudaloso, as chances estão comigo.) Perdi a boa onda. Outras virão. Há males que vêm para o bem, não se sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Quem canta seus males espanta e, cantarolando uma qualquer, vou.
Onde quase já não dá pé, espero. Ondas, pouco aproveitáveis, nenhuma como aquela, vão-me tirando o fôlego a cada mergulho. (Mar caudaloso, as chances me abandonam.) Mas talvez uma onda, boa lisa parede bela que seja, recompense-me a paciência. Talvez - não, sequer talvez; o tempo em que estive a mergulhar, se aproveitada a boa onda, se levado fosse por ela até o raso, se levado fosse por ela até a areia enxuta, até a calçada lá perto da rua, seria-me suficiente para desapressadamente regressar ao ponto em que ora estava e, sem perdas, esperar.
Percebo-me intraquilo. Percebo-me desamparado. Derrotado. Amaldiçoo algumas, várias ondas. Almadiçoo aquela em especial. Amaldiçoo meu atraso. Almadiçoo-me a percepção e percebo então o aprendizado.
Não soube eu respeitar a incerteza, sólida verdade. Imaginei que o mar me satisfaria os anseios simplesmente porque poderia ser que sim. Ditei regras ao acaso. Mergulhados os pés, meu corpo inteiro n'água, dado o primeiro mergulho, o segundo, fiz-me parte do mar e me supus ele todo, fingi pensar por ele e me convoquei belas ondas. Ninguém veio. Percebo-me feito aquele que ao berço chora porque lhe falta colo e mimo. Silencio meu pensar. Boas ondas todas são.
Entendi o mar, o acaso, a incerteza - a inquietude liquefez-se. Em saída, reparo no céu. O azul. A nuvem distante e esparsa. O vazio. O sol. Grão de areia incadescente. Estrela-do-mar-do-céu. Dói-me a vista mirá-lo como mirei, baixo o olhar a tempo de ver os últimos torvelinhos d'água que me envolvem os tornozelos, ensaio estar a descobrir algo e eis que o ego me sussurra com sutil voz feminina, tudo para mim, tudo quero eu. Finjo entender, volto, de novo n'água, até a cintura mergulhado, perpassa-me uma corrente quente, sinto. Entendo. Duas vezes entendo.
Eu nem o mar somos os mesmos - passado o tempo que fosse, nada é sabido do que se daria em meu regresso se aproveitada a boa onda.
Eu nem o mar somos os mesmos - não há por que admitir a derrota se derrota não há quando não há competição.
Eu nem o mar somos os mesmos - perdão peço àqueles que amaldiçoei.
Eu nem o mar somos os mesmos - mergulho de novo, renovo-me, e convoco belas ondas.
Eu nem o mar somos os mesmos - tudo pra mim, tudo por mim, tudo sou eu, tudo quero eu.
Volto-me a tempo de ver ao longe se formar a boa onda. Lisa. Bela. Sorrindo, apresso-me.
domingo, 14 de setembro de 2008
A boa onda
O pensamento que me consola é irremediavelmente egoísta - perdi a boa onda porque outras mais me estão reservadas adiante - quem sabe... Saberei. (Mar caudaloso, as chances estão comigo.) Perdi a boa onda. Outras virão. Há males que vêm para o bem, não se sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Quem canta seus males espanta e, cantarolando uma qualquer, vou.
Onde quase já não dá pé, espero. Ondas, pouco aproveitáveis, nenhuma como aquela, vão-me tirando o fôlego a cada mergulho. (Mar caudaloso, as chances me abandonam.) Mas talvez uma onda, boa lisa parede bela que seja, recompense-me a paciência. Talvez - não, sequer talvez; o tempo em que estive a mergulhar, se aproveitada a boa onda, se levado fosse por ela até o raso, se levado fosse por ela até a areia enxuta, até a calçada lá perto da rua, seria-me suficiente para desapressadamente regressar ao ponto em que ora estava e, sem perdas, esperar.
Percebo-me intraquilo. Percebo-me desamparado. Derrotado. Amaldiçoo algumas, várias ondas. Almadiçoo aquela em especial. Amaldiçoo meu atraso. Almadiçoo-me a percepção e percebo então o aprendizado.
Não soube eu respeitar a incerteza, sólida verdade. Imaginei que o mar me satisfaria os anseios simplesmente porque poderia ser que sim. Ditei regras ao acaso. Mergulhados os pés, meu corpo inteiro n'água, dado o primeiro mergulho, o segundo, fiz-me parte do mar e me supus ele todo, fingi pensar por ele e me convoquei belas ondas. Ninguém veio. Percebo-me feito aquele que ao berço chora porque lhe falta colo e mimo. Silencio meu pensar. Boas ondas todas são.
Entendi o mar, o acaso, a incerteza - a inquietude liquefez-se. Em saída, reparo no céu. O azul. A nuvem distante e esparsa. O vazio. O sol. Grão de areia incadescente. Estrela-do-mar-do-céu.
Volto-me ainda. De longe vejo se formar a boa onda. Lisa parede. Bela que só ela. Estou longe; contemplo. Melhor assim.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Notas de Aula - O Fim
Acho que a série 'Notas de Aula' acaba aqui. O formato é legal, dá brecha para historinhas e opiniões curtas, mas já chega. É legal, mas não imprescindível.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Notas de Aula - Semana 4 - Dia 2º; Dia 3º
Ambos dias sem anotações.
"é impressão minha, ou as anotações de aulas estão ficando escassas? e com isso tb a sua freqüência, é? assim vc não passa no vestibular, mocinho."
Né, elas diminuiram sim. É, a frequência também. Acho que por eu estar mais disperso. Porque permiti-me ficar mais disperso. O início foi naturalmente mais intenso. Não conhecia os professores, queria conhecê-los. Estava aceso, alerta, crítico. Agora foco no que realmente não quero perder de vista. Ou no que muito me chama a atenção. Se fosse repetir as críticas primeiras, muito me alongaria. Não que não queira discorrer sobre esses "vícios". Muito pretendo. Mas é que as notas de aula são só... notas.
Não falemos de vestibular. Aí é que me alongo mesmo. Num piscar, estaria a discorrer sobre pedintes no sinal e o modo como os tratamos. Meu discurso sobre tudo é quase que uma coisa só.
Responde, raquel. Se tudo cair, o que se sustenta? Não precisa se afobar. Pode perguntar o que é 'tudo'. O que é 'cair'. Mas finge saber primeiro. Afinal, você sabe. Todos sabemos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Notas de Aula - Semana 4 - Dia 5º
Parker - Física:
- "Não copia nada ainda, só olha para o quadro, que agora vai ficar mais divertido."
Vi gente soltar as canetas e cruzar os braços. Engraçado.
Golias - História:
- "Soberania Popular" - Soa correto. Soa. Mas e a minoria que se cala?
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
N. de A. - S. 4 - D.1º (Parte 2ª), D.2º, D.3º, D.4º
Andes - Geografia:
- "Mapas temáticos" - entre vários, havia o "Batimétrico". Ph me cutuca: "Ó o mapa do Batman". "O mapa do Batman ali, ó". Comédia, "Tô ligado, é tipo o mapa da bat-caverna, né..." digo.
Mas inevitavelmente começo a matutar. O batman só é batman e tudo vira bat-coisas em referência a 'bat', 'morcego' no inglês. Morcegos vivem em cavernas, regiões profundas. E, sim, o mapa batimétrico serve para representar profundidade. Certamente o morcego anglo-saxão recebeu o nome 'bat' por este estar relacionado àlguma característica sua - no caso, o hábito de viver em ambientes profundos e com pouca luminosidade, suponho.
Etimologia não é coincidência; as palavras, os nomes não são montados ao léu.
Trigonometria nada tem a ver com trigo, mas bem poderia, não? - "Fortaleza, que fica a 2º 46' ao sul da linha do equador..."
Olho para trás e digo para o Ph "égua, achei que era 3º 23'...". [E de fato achava; esse número me ficou na memória desde época do colégio, e sempre recorri a ele para justificar as chuvas, a quentura e o não-horário de verão daqui (conversas pelo sudeste...)]
Não demora muito, Ph vem com a sátira. Mãozinha no queixo como de quem está pensando, solta: "Égua mah, 2º 46'... achei que era 3º 23'... Ah, se bem que tem o movimento das placas tectônicas...". - Questão sendo resolvida no quadro, algo sobre um passeio de barco numa rota triangular. Norte-Sul, perpendicular para lá, 30º para cá. Contaral.
Ph comenta: "Égua mah, questão de matemática isso aí... Geografia só por que tem rio, é? Daqui a pouco, na prova de Biologia tem lá: 'Um animal se reproduzindo a 50 km/h...' ".
**
Cocada - Biologia:
- Um pedaço de gravura bonita. Isso dá o quê? Já tive problemas com isso antes. Na época do caderninho. Eu encontrava uma "situação" notável e não sabia o que fazer dela. Texto? Versos? Música? E me doia.
Mas peguei a manha. E é fácil. Basta não interferir.
Inaugural vai ganhar mais um novo irmão.
**
Titanic - História:
- "Mulher e amantes, juntos, amarrados e jogados ao rio" - Não queria tomar nota disso. Dá poesia. Sim, dá. Mas não minha.
- "Empalado."
Triste imagem.
Que tal "empalavrado"? Aí, sim. Morreria era duas, três vezes. Se mais, melhor.
**
Tai - Biologia:
- Desde já peço desculpas pelo linguajar. Mas foi assim que aconteceu.
Falou-se de sanguessugas. Veio-me dúvida sincera. Dúvida com relação a terapia usando sanguessugas. Porque tem esse lance de não sentir a dor e tudo mais. Daí veio-me outra. E uma sanguessuga na língua? Deve lesar bastante, músculo, mó vascularizado e tal. Outra idéia me veio, mas não dei atenção. Nem precisou, no que comentei dessas duas perguntas que faria ao professor, Ph de sobressalto: "Eeei mah, imagina no pau!?". Eu, "Hehe, pois é, até pensei nisso também... Vixi mah, o pior é que tem os corpos cavernosos, a ereção depende da boa vascularização... Maaacho, a sanguessuga vai chupar sangue pra caralho! Eita! Pra caralho!!".
Não deu outra. Fui tirar as três dúvidas com o professor. Com direito a trocadilho final e tudo.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 4 - Dia 1º - Parte 1ª
Tomé - Biologia:
- "Útero não-gestacional possui cerca de 50 g; cabe na palma da mão." - Poesia. Ei-la:
- Quatro versos (título provisório)
tocar-te-ei o útero com as mãos
não com as minhas
mas com as do filho que é teu
e meu
domingo, 24 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 3 - Dia 5º
Athos B. T. Skyler Ripilica - Química:
- Mais uma para coleção. O nome do professor é o mesmo da marca de camisa que estou a usar.
- "Assimilar o macete". Perdoem-me a indecência. Não confundir com "se melar com o cacete" ou "amaciar o...". Que feio.
- Polimerização e o surgimento da vida, eu e a praia, eu e o mundo, a história e o passar do tempo, o feijão e o arroz, aquilo que importa e aquilo que está lá dentro, a tartaruga e o panda.
Aquilo que não depende de nós. - Estamos no meio do caminho. Ou no começo. Pretenção é uma cilada. E o mundo não vai acabar. Mal começou.
Golias - História:
- "Qual o marco pessoal? Qual o grande marco, o grande momento que determinou que não mais se discutiria o Feudalismo? "
Vontade doida de gritar lá de trás "A queda do muro de Berlim!".
sábado, 23 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 3 - Dia 4º
Jojó - Geografia:
- Lembro uma situação em que uma amiga se quis fazer cupido. Quis dar pitaco. Fazer-se de informada. Fazer-se de informante. Isso nunca sai legal. Ser confidente dá status parece. Pv bem soube traduzir esse querer tão recorrente - era-nos uma amiga em comum a da ocasião: "Tem gente que gosta. Eu prefiro dançar forró", disse. E é bem por aí mesmo. Eu prefiro jogar frescobol.
(Editado) Putin, putin. Podendo fazer tantas outras coisas. Deve ter tanto livro russo legal pra ler. Tanta coisa legal pra fazer no gelo. - A gente cede porque tem medo. A gente se adequa porque acha que infelizmente é necessário. A gente segue a correnteza primeiro porque é forte demais. É difícil nadar contra, mas repare que passaste a nadar com ela. Coração endurecido. Levantaste a bandeira a contra-gosto, entanto agora vê tudo com malícia e sorri com raiva enquanto ela tremula no ar.
Por que parar de contestar? Por que parar de fundamentar-se, de sentir, de questionar? Buscar os porquês das coisas é o que há. Ou machuca?
Pontes - História:
- "Ilustríssimos, quem foi que descobriu o ouro no Brasil?"
Bateu-me uma vontade doida de gritar lá de trás "Pedro Álvares Cabral!". - Há interessantes momentos nas aulas do Pontes. É quando ele diz "anote aí". Um mar de cabecinhas atentas mergulha nos cadernos e ainda mais atentas despejam pelas canetas o que lhes escorre dos ouvidos.