'Arte pela arte' é como crer no corpo como prisão do espírito. Libertar-se seria negar o mundo que se alicerça em imagens. Mas impraticável é (mesmo na minha mais praticável utopia que, descubro, não é tão praticável assim). Se o vento me levanta os cabelos, a mão naturalmente vai e afaga. 'Arte pela arte' se faz no cabelo despenteado sem querer.
**
'Arte pela arte' é admiração intensa, expressão individual. Independe de alheia aceitação. É o poema feito que não se mostra a ninguém. Por timidez, por receio. Do outro. De si. E feito o som que faz aquilo que cai e ninguém ouve, arte se faz ali - em cadernos fechados, em velhas gavetas, em papéis avulsos, nas cestas de lixo.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Espelhos e Olhos fechados
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Joga 10
O texto que segue é essa redação com uma palavra alterada, outra em lugar modificado e oito novas acrescentadas - é o danado mal da edição.)
Certa estatística diz que passamos boa parte de nossas vidas dormindo. Presumidas oito horas diárias. Intenciona-se vender colchões, naturalmente. Mas utilizemos do mesmo recurso. Extendamos o tempo de tarefas corriqueiras para um vida inteira. Quanto tempo, por exemplo, não passamos dentro de um automóvel? Mais!, quanto tempo não passamos parados ao semáforo, à espera de verde luz - verde cor da esperança - que nos permita ir. "Seguir".
Dói-me pensar nisso. Tanto que busco alternativas para tais momentos - não mais prostituo meus ouvidos com as repetitivas e repetidas e repetidoras e repetirritantes músicas das rádios. Não que eu tenha inventado um novo "tetris". Não, não. O que faço é um bocadinho mais simples. Procuro observar. Assim simples. Observar. Desprendo-me do cinto de segurança, meto a cabeça para fora do carro, apóio-a nos braços, estes também do lado de fora, e pronto!, está montado o aparato. Refaço-me criança numa janela e eis que chega o mais difícil: despir-se dos preconceitos, dos filtros viciados que temos no olhar e no sentir.
Mas estou pegando o jeito. Não fecho as janelas, não travo as portas; olho o pedinte nos olhos e, se nada dou, digo "perdão", jamais "não tenho" - estaria a mentir. O cara do rodinho, boa-gente, já sei até o nome, "Marquinhos". A velhinha tem duas netinhas e problemas no coração. "Dona Amélia" carrega consigo cansada receita médica.
Um catador de latinhas. Maurício. Uma camisa suja de dar dó vestia. Igualmente sujo estava. Resolvo dizer o que significava a frase nela escrita. "Born to party". Nascido para festejar. Ele me pergunta o que é "festejar". "Fazer festa", digo. Ele sorri com melancolia. Eu não consigo dizer mais nada. A mensagem de otimismo que eu queria passar se afundou num mar de lágrimas dentro de mim. Lágrimas que não despejei. Afundaram-se em si, levantando e espalhando espumas de ironia.
Feitoironiaessadeescrever30linhasdistantesdotemapropostoepoucomeimportar. Amém.
E, sim, a nota foi zero.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Dialogam
A pele dela que me disse, estava com frio. não a conhecia, não a conheço, mas muito bem eu sabia que estava. A pele dizia. e eu bem sabia, porque via. via seus pelos eriçados, os poros sobressaltados; Seu corpo dialogava com o meu olhar. e eu via o frio que ela sentia. não que eu a tenha tocado ou sentido do frio e presumido que estivéssemos ambos a sentir. eu simplesmente vi.
***
Caminhava apressado quase. À direita a praça, à esquerda o comércio, o banco num prédio alto à frente - pessoas, esquinas, caminhos. Um cheiro. Respirava sem compasso, o cheiro me arrebatou; agarrei-lhe num longo e pleno inspirar. Caminhei ainda um, dois, lentos, três passos antes de abrir os olhos - fecharam-se como que a procura de imagens na mente, dentro. Vivo algo senti. Cores, vozes, tudo o que me veio, o cheiro que trouxe. Procuro fora, prédios, esquinas, fétidos e fétidas e cheiro nenhum. Pessoas, caminhos. De novo lembro. Sigo. Entorpecido. Quase.
***
Precisava proteger os ouvidos. Papeizinhos, perfeito. Mas sujos e riscados, exigiria certo sacrifício. Devidamente amassados: boca. Amargo. E muito salivei. Tão ruim quanto mastigá-los e lhes sentir o sabor era saber que teria de engolir a papa que restasse. O pior passado, imprenso aos orifícios essas gomas e me escorrem nos dedos excessos de saliva. Não querendo enxugar nas roupas, decido por dar-lhes o destino nativo e: mãos aos lábios - com a língua, paradoxo, secá-las-ia. Fluida brincadeira, calça-me luvas o odor, o odor!? - resgata-se viva em mim a sensação de um beijo teu. (Ouvidos tapados, o intenso barulho soa longínquo e o silêncio me encapsula.) É odor este o mesmo daquele que me persistia na pele, na face, no corpo, onde tu osculasse? Sim, é. Mas a baba minha...? Porque em teus beijos, percebo, lambuzava-me de mim, comigo; e teu hálito, em verdade, emprestava-se do meu.
***
sei do teu sorriso quando ouço o chiado de um leve soprar entredentes. (há muito não te vejo, mas bem sei dos teus olhos, tua boca, bochechas e todo o resto quando em gargalhada estás desfeita - refeita - perfeita). ao telefone, podia ouvir e lembrar. agora, lembro do que ouvia, só daí lembro deveras. não sinto tua falta, porque estás comigo na lembrança - mas mais distante a cada vez. em não muito tempo, estarei vendo o que me lembra do que ouvi quando em teu toque em meus lábios um perfume....
Sinto tua falta.
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Aboaonda
O pensamento que me consola é irremediavelmente egoísta - perdi a boa onda porque outras mais me estão reservadas adiante - quem sabe... Saberei. (Mar caudaloso, as chances estão comigo.) Perdi a boa onda. Outras virão. Há males que vêm para o bem, não se sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Quem canta seus males espanta e, cantarolando uma qualquer, vou.
Onde quase já não dá pé, espero. Ondas, pouco aproveitáveis, nenhuma como aquela, vão-me tirando o fôlego a cada mergulho. (Mar caudaloso, as chances me abandonam.) Mas talvez uma onda, boa lisa parede bela que seja, recompense-me a paciência. Talvez - não, sequer talvez; o tempo em que estive a mergulhar, se aproveitada a boa onda, se levado fosse por ela até o raso, se levado fosse por ela até a areia enxuta, até a calçada lá perto da rua, seria-me suficiente para desapressadamente regressar ao ponto em que ora estava e, sem perdas, esperar.
Percebo-me intraquilo. Percebo-me desamparado. Derrotado. Amaldiçoo algumas, várias ondas. Almadiçoo aquela em especial. Amaldiçoo meu atraso. Almadiçoo-me a percepção e percebo então o aprendizado.
Não soube eu respeitar a incerteza, sólida verdade. Imaginei que o mar me satisfaria os anseios simplesmente porque poderia ser que sim. Ditei regras ao acaso. Mergulhados os pés, meu corpo inteiro n'água, dado o primeiro mergulho, o segundo, fiz-me parte do mar e me supus ele todo, fingi pensar por ele e me convoquei belas ondas. Ninguém veio. Percebo-me feito aquele que ao berço chora porque lhe falta colo e mimo. Silencio meu pensar. Boas ondas todas são.
Entendi o mar, o acaso, a incerteza - a inquietude liquefez-se. Em saída, reparo no céu. O azul. A nuvem distante e esparsa. O vazio. O sol. Grão de areia incadescente. Estrela-do-mar-do-céu. Dói-me a vista mirá-lo como mirei, baixo o olhar a tempo de ver os últimos torvelinhos d'água que me envolvem os tornozelos, ensaio estar a descobrir algo e eis que o ego me sussurra com sutil voz feminina, tudo para mim, tudo quero eu. Finjo entender, volto, de novo n'água, até a cintura mergulhado, perpassa-me uma corrente quente, sinto. Entendo. Duas vezes entendo.
Eu nem o mar somos os mesmos - passado o tempo que fosse, nada é sabido do que se daria em meu regresso se aproveitada a boa onda.
Eu nem o mar somos os mesmos - não há por que admitir a derrota se derrota não há quando não há competição.
Eu nem o mar somos os mesmos - perdão peço àqueles que amaldiçoei.
Eu nem o mar somos os mesmos - mergulho de novo, renovo-me, e convoco belas ondas.
Eu nem o mar somos os mesmos - tudo pra mim, tudo por mim, tudo sou eu, tudo quero eu.
Volto-me a tempo de ver ao longe se formar a boa onda. Lisa. Bela. Sorrindo, apresso-me.
domingo, 14 de setembro de 2008
A boa onda
O pensamento que me consola é irremediavelmente egoísta - perdi a boa onda porque outras mais me estão reservadas adiante - quem sabe... Saberei. (Mar caudaloso, as chances estão comigo.) Perdi a boa onda. Outras virão. Há males que vêm para o bem, não se sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Quem canta seus males espanta e, cantarolando uma qualquer, vou.
Onde quase já não dá pé, espero. Ondas, pouco aproveitáveis, nenhuma como aquela, vão-me tirando o fôlego a cada mergulho. (Mar caudaloso, as chances me abandonam.) Mas talvez uma onda, boa lisa parede bela que seja, recompense-me a paciência. Talvez - não, sequer talvez; o tempo em que estive a mergulhar, se aproveitada a boa onda, se levado fosse por ela até o raso, se levado fosse por ela até a areia enxuta, até a calçada lá perto da rua, seria-me suficiente para desapressadamente regressar ao ponto em que ora estava e, sem perdas, esperar.
Percebo-me intraquilo. Percebo-me desamparado. Derrotado. Amaldiçoo algumas, várias ondas. Almadiçoo aquela em especial. Amaldiçoo meu atraso. Almadiçoo-me a percepção e percebo então o aprendizado.
Não soube eu respeitar a incerteza, sólida verdade. Imaginei que o mar me satisfaria os anseios simplesmente porque poderia ser que sim. Ditei regras ao acaso. Mergulhados os pés, meu corpo inteiro n'água, dado o primeiro mergulho, o segundo, fiz-me parte do mar e me supus ele todo, fingi pensar por ele e me convoquei belas ondas. Ninguém veio. Percebo-me feito aquele que ao berço chora porque lhe falta colo e mimo. Silencio meu pensar. Boas ondas todas são.
Entendi o mar, o acaso, a incerteza - a inquietude liquefez-se. Em saída, reparo no céu. O azul. A nuvem distante e esparsa. O vazio. O sol. Grão de areia incadescente. Estrela-do-mar-do-céu.
Volto-me ainda. De longe vejo se formar a boa onda. Lisa parede. Bela que só ela. Estou longe; contemplo. Melhor assim.
quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Notas de Aula - O Fim
Acho que a série 'Notas de Aula' acaba aqui. O formato é legal, dá brecha para historinhas e opiniões curtas, mas já chega. É legal, mas não imprescindível.
terça-feira, 2 de setembro de 2008
Notas de Aula - Semana 4 - Dia 2º; Dia 3º
Ambos dias sem anotações.
"é impressão minha, ou as anotações de aulas estão ficando escassas? e com isso tb a sua freqüência, é? assim vc não passa no vestibular, mocinho."
Né, elas diminuiram sim. É, a frequência também. Acho que por eu estar mais disperso. Porque permiti-me ficar mais disperso. O início foi naturalmente mais intenso. Não conhecia os professores, queria conhecê-los. Estava aceso, alerta, crítico. Agora foco no que realmente não quero perder de vista. Ou no que muito me chama a atenção. Se fosse repetir as críticas primeiras, muito me alongaria. Não que não queira discorrer sobre esses "vícios". Muito pretendo. Mas é que as notas de aula são só... notas.
Não falemos de vestibular. Aí é que me alongo mesmo. Num piscar, estaria a discorrer sobre pedintes no sinal e o modo como os tratamos. Meu discurso sobre tudo é quase que uma coisa só.
Responde, raquel. Se tudo cair, o que se sustenta? Não precisa se afobar. Pode perguntar o que é 'tudo'. O que é 'cair'. Mas finge saber primeiro. Afinal, você sabe. Todos sabemos.
segunda-feira, 1 de setembro de 2008
Notas de Aula - Semana 4 - Dia 5º
Parker - Física:
- "Não copia nada ainda, só olha para o quadro, que agora vai ficar mais divertido."
Vi gente soltar as canetas e cruzar os braços. Engraçado.
Golias - História:
- "Soberania Popular" - Soa correto. Soa. Mas e a minoria que se cala?
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
N. de A. - S. 4 - D.1º (Parte 2ª), D.2º, D.3º, D.4º
Andes - Geografia:
- "Mapas temáticos" - entre vários, havia o "Batimétrico". Ph me cutuca: "Ó o mapa do Batman". "O mapa do Batman ali, ó". Comédia, "Tô ligado, é tipo o mapa da bat-caverna, né..." digo.
Mas inevitavelmente começo a matutar. O batman só é batman e tudo vira bat-coisas em referência a 'bat', 'morcego' no inglês. Morcegos vivem em cavernas, regiões profundas. E, sim, o mapa batimétrico serve para representar profundidade. Certamente o morcego anglo-saxão recebeu o nome 'bat' por este estar relacionado àlguma característica sua - no caso, o hábito de viver em ambientes profundos e com pouca luminosidade, suponho.
Etimologia não é coincidência; as palavras, os nomes não são montados ao léu.
Trigonometria nada tem a ver com trigo, mas bem poderia, não? - "Fortaleza, que fica a 2º 46' ao sul da linha do equador..."
Olho para trás e digo para o Ph "égua, achei que era 3º 23'...". [E de fato achava; esse número me ficou na memória desde época do colégio, e sempre recorri a ele para justificar as chuvas, a quentura e o não-horário de verão daqui (conversas pelo sudeste...)]
Não demora muito, Ph vem com a sátira. Mãozinha no queixo como de quem está pensando, solta: "Égua mah, 2º 46'... achei que era 3º 23'... Ah, se bem que tem o movimento das placas tectônicas...". - Questão sendo resolvida no quadro, algo sobre um passeio de barco numa rota triangular. Norte-Sul, perpendicular para lá, 30º para cá. Contaral.
Ph comenta: "Égua mah, questão de matemática isso aí... Geografia só por que tem rio, é? Daqui a pouco, na prova de Biologia tem lá: 'Um animal se reproduzindo a 50 km/h...' ".
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Cocada - Biologia:
- Um pedaço de gravura bonita. Isso dá o quê? Já tive problemas com isso antes. Na época do caderninho. Eu encontrava uma "situação" notável e não sabia o que fazer dela. Texto? Versos? Música? E me doia.
Mas peguei a manha. E é fácil. Basta não interferir.
Inaugural vai ganhar mais um novo irmão.
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Titanic - História:
- "Mulher e amantes, juntos, amarrados e jogados ao rio" - Não queria tomar nota disso. Dá poesia. Sim, dá. Mas não minha.
- "Empalado."
Triste imagem.
Que tal "empalavrado"? Aí, sim. Morreria era duas, três vezes. Se mais, melhor.
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Tai - Biologia:
- Desde já peço desculpas pelo linguajar. Mas foi assim que aconteceu.
Falou-se de sanguessugas. Veio-me dúvida sincera. Dúvida com relação a terapia usando sanguessugas. Porque tem esse lance de não sentir a dor e tudo mais. Daí veio-me outra. E uma sanguessuga na língua? Deve lesar bastante, músculo, mó vascularizado e tal. Outra idéia me veio, mas não dei atenção. Nem precisou, no que comentei dessas duas perguntas que faria ao professor, Ph de sobressalto: "Eeei mah, imagina no pau!?". Eu, "Hehe, pois é, até pensei nisso também... Vixi mah, o pior é que tem os corpos cavernosos, a ereção depende da boa vascularização... Maaacho, a sanguessuga vai chupar sangue pra caralho! Eita! Pra caralho!!".
Não deu outra. Fui tirar as três dúvidas com o professor. Com direito a trocadilho final e tudo.
terça-feira, 26 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 4 - Dia 1º - Parte 1ª
Tomé - Biologia:
- "Útero não-gestacional possui cerca de 50 g; cabe na palma da mão." - Poesia. Ei-la:
- Quatro versos (título provisório)
tocar-te-ei o útero com as mãos
não com as minhas
mas com as do filho que é teu
e meu
domingo, 24 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 3 - Dia 5º
Athos B. T. Skyler Ripilica - Química:
- Mais uma para coleção. O nome do professor é o mesmo da marca de camisa que estou a usar.
- "Assimilar o macete". Perdoem-me a indecência. Não confundir com "se melar com o cacete" ou "amaciar o...". Que feio.
- Polimerização e o surgimento da vida, eu e a praia, eu e o mundo, a história e o passar do tempo, o feijão e o arroz, aquilo que importa e aquilo que está lá dentro, a tartaruga e o panda.
Aquilo que não depende de nós. - Estamos no meio do caminho. Ou no começo. Pretenção é uma cilada. E o mundo não vai acabar. Mal começou.
Golias - História:
- "Qual o marco pessoal? Qual o grande marco, o grande momento que determinou que não mais se discutiria o Feudalismo? "
Vontade doida de gritar lá de trás "A queda do muro de Berlim!".
sábado, 23 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 3 - Dia 4º
Jojó - Geografia:
- Lembro uma situação em que uma amiga se quis fazer cupido. Quis dar pitaco. Fazer-se de informada. Fazer-se de informante. Isso nunca sai legal. Ser confidente dá status parece. Pv bem soube traduzir esse querer tão recorrente - era-nos uma amiga em comum a da ocasião: "Tem gente que gosta. Eu prefiro dançar forró", disse. E é bem por aí mesmo. Eu prefiro jogar frescobol.
(Editado) Putin, putin. Podendo fazer tantas outras coisas. Deve ter tanto livro russo legal pra ler. Tanta coisa legal pra fazer no gelo. - A gente cede porque tem medo. A gente se adequa porque acha que infelizmente é necessário. A gente segue a correnteza primeiro porque é forte demais. É difícil nadar contra, mas repare que passaste a nadar com ela. Coração endurecido. Levantaste a bandeira a contra-gosto, entanto agora vê tudo com malícia e sorri com raiva enquanto ela tremula no ar.
Por que parar de contestar? Por que parar de fundamentar-se, de sentir, de questionar? Buscar os porquês das coisas é o que há. Ou machuca?
Pontes - História:
- "Ilustríssimos, quem foi que descobriu o ouro no Brasil?"
Bateu-me uma vontade doida de gritar lá de trás "Pedro Álvares Cabral!". - Há interessantes momentos nas aulas do Pontes. É quando ele diz "anote aí". Um mar de cabecinhas atentas mergulha nos cadernos e ainda mais atentas despejam pelas canetas o que lhes escorre dos ouvidos.
quinta-feira, 21 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 3 - Dia 3º
Selton - Química:
- "Uma formiga no Castelão" - Legal. Não sei o que dá.
Vadio - Literatura:
- Bem sabem.
Titanic - História:
- O mal da disputa política; O mal de toda forma de disputa. Nego toda forma de compet... thiaguinho, querido, mas tu só fala mal, só chuta o balde, faz só do que quer e não participa? Vota em branco, é? Aguarde...
quarta-feira, 20 de agosto de 2008
terça-feira, 19 de agosto de 2008
Notas de aula - Semana 3 - Dia 1º
Carlton - Biologia:
- "A febre..." - Poesia.
- Genes inativos e aquilo que não somos - Prosa poética?
- Dna lixo e a vida que levamos - Prosa poética?
- Hoje eu dormi a aula toda... não prestei atenção em nada - Poesia.
sábado, 16 de agosto de 2008
Desconcerto
"coincidência: simultaneidade de dois acontecimentos; concordância; justaposição; identificação de duas ou mais coisas; acaso"
Não há por que muito matutar, não há jeito. Ao fim a lógica se rasga e os sentimentos nos traem. Resta a escolha. Acreditar, ter certeza, duvidar. E cada um é na verdade a mescla dos outros dois.
O conceito de simultaneidade ganha importância e 'coincidência' enquanto palavra perde força. Perde a carga esotérica. Pois significa tão somente que acontecimentos se deram em simultâneo.
O importante mesmo é o que se faz delas. Das coincidências. Elas sozinhas não fazem nada. Elas nos são o cenário.
Segundo meu conceito de simultaneidade, coincidência é o acaso; e o acaso enquanto agente transformador é na verdade uma personagem cega, surda e louca. Fala, mas ninguém entende direito.
Acontece com 'coincidência' algo similar ao que se dá com 'praticamente'. Quando algo é 'praticamente' impossível de ocorrer, fica-se com a idéia de que seja 'quase' impossível. Mas, não, trata-se de algo impossível de acontecer 'na prática' - não ocorre é de forma alguma. 'Coincidência' tem distorção análoga - ora 'incrível', ora 'mera' - e não sei qual que é a verdadeira.
Meus amigos, sobram búzios e cartas e velas no mundo que tentam entender por que assim é que se dá... e eu tento também - procuro na palma da minha mão e nos capilares dos olhos, nas melodias que sinto e ouço, no cheiro de tudo, no gosto do beijo e na memória... ah, na memória...
Não há mesmo jeito, tudo é coincidência e discutir isso é uma grande bobagem. Simultaneidade é uma imposição forte demais. As coisas acontecem e isso basta.
Nada é coincidência. "Sejamos todos clandestinos em nosso ser e íntimo pensar. Há mais sinceridade nas coisas que não se permite." Escolhi o vermelho-sangue, deram-me um um verde bonito. Verde das ervas-finas. Verde como a esperança. Verde como a esperança.
Segundo meu conceito de simultaneidade, coincidência não é puro acaso; longe disso - somos traços e rabiscos. Imagens e semelhanças que por igual ensaiam dos seus também. Rascunhos descontentes.
Muito preguei que as coisas sempre aconteciam da melhor maneira possível e só não nos dávamos conta disso. Foi um achado. Atirei no que vi, acertei no que não vi - se é que isso é uma coisa boa. Na época, traduzia um otimismo bobo e sem fundamentos teórico-práticos; era meu modo dizer ao mundo que eu estava contente com a vida que levava. E quando não mais estive, para onde foi a bonita frase? Neguei-a. "(...) acreditar que as coisas acontecem da melhor maneira possível é um clichê agradável que não me consola mais, mas que respeito." De fato, "Narciso acha feio o que não é espelho". Mas agora não mais. Sim, elas acontecem da melhor maneira possível. E justifico como puder. Com paixão para os céticos, com ripidez para os namorados, com embasamento científico para as crianças. Com crença, certeza e dúvida para mim.
Notas de Aula - Semana 2 - Dia 4º
Jojó - Geografia:
- Enxergo uma brecha. Desregulamentação - é o que se prega agora, para que se conserve e intensifique o que já está. A história se repete como dizem e eu já enxergo o fim, um fim, por uma brecha eu vejo. A história se repete e diz que o trunfo final dos que cairão, a última cartada, em verdade é o trunfo primeiro dos que hão de ascender. Desregulamentação. Enxergo uma brecha.
- O mal das licitações; O mal dos padrões; "Euestoupagando!". Não me rendo mais. Não vou me adaptar. Não vou ceder nem me adequar. Como já bem escrevi em notas perdidas: "nunca, nunca mais viver no piloto automático. Tudo tem uma razão de ser; cada palavra falada ou escrita. Cada gesto, cada erro. Nunca mais levar com a barriga sem propósito. Tudo tem uma razão de ser. Não é por convenção. Não faço mais nada por convenção. Nunca, nunca mais viver no piloto automático."
- Entendi Gandhi.
- Muito bom. Ótimas idéias, ótimos argumentos. Falta-lhe a obra.
- Crescimento econômico é parâmetro de progresso por quê? Isso daria mais um texto do tipo "Sim ou Não, Justifique".
Pontes - História:
- Os vícios e expressões denuciam-nos o íntimo pensar. "Petróleo, petróleo, petróleo, petróleo. O petróleo permitiu que Putin colocasse a Rússia em seu devido lugar." Lugar bastante devido, vê-se. Onde possa se impor, mandar, desmandar, oprimir. Isso não é lugar devido para ninguém. De novo, lembra-me Som ("Pode mostrar todo teu poder bélico, eu não quero. Ninguém nasce armado. Tu não nasceu armado. Eu não nasci armado. Por que vou-me armar então?").
- "(...) Pagaria com a própria vida. Seus bens. Confiscados."
quinta-feira, 14 de agosto de 2008
Notas de Aula - Semana 2 - Dia 3º
Selton - Química:
- Ouvindo sobre mentes brilhantes, críticas e o mundo e suas competições, acho que entendi uma coisa legal. Gostei da aula.
Titanic - História:
- Porque os diálogos somos nós quem fazemos. Tudo se dá dentro da caixa craniana, não? A cor da tua roupa sou eu quem dou. Você escolheu. Tentou. Mas a palavra final, a tonalidade, é toda minha.
- Agora me está bem claro. Prego o Bairrismo Universal.
Vadio - Literatura:
- Falou que ia tratar do enredo do livro. Escapuli-me.