(Breve retomada da série Futebol)
Entrando no msn, abre-se aquela janela "Today" com notícias e outras coisas mais.
Em destaque, na foto maior, estava Robson de Souza. Tristeza. Foi-me um baque. Legenda: "Robinho - Tchau, Pequim". E logo abaixo, em letras menores: "Real Madrid constata lesão e tira Robinho da seleção nos Jogos".
Já ia clicar, mas enxerguei no cantinho, escondido, com as letras quase que pela metade por conta da barra de rolagem, no campo Merece um Clique: "Recorde de passar roupa". Enxuto assim.
Não deu outra. O Internet Explorer não permite abrir em abas. Um teria que vir primeiro.
Perdão, Robinho, perdão.
sexta-feira, 25 de julho de 2008
Futebol - A Desfeita
segunda-feira, 14 de julho de 2008
Futebol - Anotações III
Setembro tem equinócio. Ou solstício, não lembro. Isso é importante. Procuro por criatividade, algo inusitado. Ela diz que não precisa. Sacanagem. É fácil fazer gol com com o Eto'o, ou com o Saviola, no cara-a-cara com o goleiro. Quero ver Pitu balançar a rede. No meu time, Pitu é titular.
Futebol - A'rte'm torcer
(Breve histórico de um ex-torcedor)
Quando era pequeno eu torcia para o Ceará. Para o Ceará e para o São Paulo. Eu era um torcedorzinho fanático. Tinha camisa do São Paulo, número sei lá qual, e frequentava os estádios nos jogos do Ceará. Estive inclusive num dos jogos de maior público do estádio Castelão, Ceará X Grêmio, final da Copa do Brasil de 1994.
Meu irmão torcia para o Palmeiras. Tenho certa lembrança da final do Brasileirão de 1994. Lembro da taça. Pesquisando aqui, vejo que a final foi contra o Corinthians. Palmeiras campeão. Assistimos a esse jogo. Não lembro onde estava minha paixão pelo São Paulo. Tornei-me Palmeirense.
Não sei como se deu esta mudança, mas meu irmão passou a torcer para o Corinthians. Não deu outra, acompanhei. Tornei-me Corinthiano.
Era eu um legítimo alvinegro então. Ceará e Corinthians.
Não sei como ou quando, deixei de acompanhar as pelejas locais. Apaulistanei-me. Só Corinthians me apetecia.
E como apetecia.
Mas deixou de apetecer. Acompanhei como fiel torcedor sua trajetória só até os idos de 2000, ano do controverso título mundial. A campanha de vice-campeonato no Brasileirão, contra o Santos, eu até vi mais ou menos, em 2002.
Em 2004, tive uma recaída e acompanhei com afinco a trajetória ao título paulista. Até ganhei 5 reais numa aposta contra um amigo são-paulino.
Em 2005, passei a dizer-me torcedor do Fortaleza, mas só por conta do retorno à série A e deixava isso bem claro. A intenção era de, de certa forma, "apoiar" (embora quem de fato faça isso seja quem torce período integral, seja na boa ou má fase) o futebol local. Valorizar a conquista. Mas nunca acompanhei deveras.
***
(Saudosimos)
Sinto falta da paixão cega de quem torce. Sinto falta de defender a todo custo essa paixão. Sinto falta da angústia da derrota, do empate apertado, da vitória difícil. E sinto falta de preferir não sentir essa angústia, de torcer pela vitória fácil, querer sempre goleada.
Vez e outra, engano-me com uma pontinha do sabor.
Sinto falta de ser torcedor deveras.
***
(Fatos)
Dizia-me corinthiano mas torci por sua queda à segunda divisão. Só pelo inusitado da situação.
Apaixonado pelo Ceará quando pirralho, eu vibrei com a subida do Fortaleza. Idem.
Ensaio até hoje dizer-me torcedor do Ferroviário. Só por causa do que certa vez li escrito por Falcão (esse não, esse) na orelha de um livro sobre o time. Não lembro bem, mas era algo sobre a famosa formação tática de "ataque em xis e defesa em zigue-zague". Tudo pelo inusitado.
Acho que gosto mesmo é de teimar.
(Ou, para manter a entoada, "gosto mesmo é de teimar deveras".)
***
(Porque violência também é arte)
Ouvi de um professor de história meu certa vez que "muito ganharia o Brasil se extinguissem os estádios, as igrejas e a televisão". O comentário tem lá sua graça e faz lá sua crítica, mas, convenhamos, é tão tendeciosamente polêmico quanto absurdo. Não falo pelos aspectos religioso e televisivo (essa série de textos chama-se "Futebol"), embora pudesse; discordo da frase inteira.
Não tenho certeza, mas creio que o professor até fez uso de um dos mais imediatos dos trocadilhos, "Torcida Des-organizada". E falou de violência, brigas dentro e fora dos estádios, do ódio cego e imbecil que alimentam torcidas rivais, mortes, tragédias. A platéia pueril concordamos quase que totalmente em tudo que nos era lecionado. Anotamos no caderno, logo abaixo do título "Feudalismo", "muito ganharia o Brasil se...". Brinco, nada foi anotado. (Isso me lembra daqueles que pregam que nosso país não é sério, porque "onde já se viu uma nação parar por uma semana inteira em feriado?", mas morrem de beber e fazer tudo quanto é marmota durante todo o "vergonhoso" carnaval.)
O raciocínio do catedrático peca pela pressa, por interferência do gosto pessoal e por espontânea vontade (ele bem quis fazer polêmica só pelo sabor de defender uma causa absurda). Pois, alegando motivação semelhante, pode-se defender a proibição do uso de automóveis. Pode-se proibir o cigarro (olha só...), as bebidas alcoólicas (não!) e, com um pouco de catimba, legalizar a maconha. Pois o Brasil muito teria a ganhar se anulados fossem os acidentes de trânsito, os malefícios do tabaco e do álcool, e se permitido fosse fazer uso das propriedades psico-terapêuticas da erva... Com argumentos absurdos chega-se a qualquer lugar. "Dá-me um ponto de apoio, que erguerei o mundo!"(definitivamente, não sou bom com dizeres...).
Os criminosos também amam. Os criminosos também choram. Os criminosos também torcem para times de futebol. E choram, porque torcem para times de futebol; torcem para times de futebol, porque amam; amam, porque choram. Ou é tudo ao contrário; sei lá quem é quem nessas causas-e-efeitos. Os maus-caracteres também têm a benção do livre-arbítrio. Por isso torcem; por isso podem vir a se tornarem criminosos.
A violência nos estádios se deve aos maus-caracteres das arquibancadas da vida.
Podem então indagar quanto aos jovens torcedores de boas famílias, com bons históricos escolares em boas escolas que, fisgados pelo temeroso nevoeiro do qual se munia com estatísticas meu professor, explodem bombas, jogam pedras, disparam tiros e matam. Entristece-me também. Digo apenas que tais acontecimentos não se dão por culpa dos estádios (ou da religião, ou da televisão...), logo não seria cabível estingui-los por busca de uma solução.
E digo: numa sociedade de praticável utopia, as cadeias seriam igualmente abarrotadas como hoje elas são. Pois ainda se mataria por amor, por ciúme, por ódio, por paixão. Ainda se roubaria por inveja, por ganância. Todos são sentimentos sinceros e naturais do homem. Escapar disso é morrer.
Conecto e adapto dois trechos para resumir em conclusão. A culpa não é dos estádios, palcos do mundo; a culpa é dos maus-caracteres das arquibancadas da vida.
quarta-feira, 9 de julho de 2008
Futebol - Acréscimos
Existe um quê de magia nas coisas que acontecem nos acréscimos. É como o estudo em cima da hora, na super-véspera da prova. A urgência do tempo que se encerra clama por definição, seja ela uma formuleta mal decorada que salva uma questão inteira ou um desesperador passear de olhos por folhas e folhas que não constata muito além do óbvio e trágico fim - o que, futebolístico-equivalente, seria: um gol daqueles que desvia de leve no zagueiro ou o correr esperançosamente temeroso e arriscado do goleiro que vai à área adversária.
O estudo de véspera (falo do estudo de véspera, mas não do d'aqueles que manjam, aqueles que estão só a dar o que seria uma leve revisada para quem já estudou muito mais) e as partidas de futebol em seus derradeiros minutos carregam como pesada cruz a dupla faceta que dá alma ao teatro e a quase tudo na vida, o riso e o choro. É um tudo ou nada todo vacilante, nada definido. Dúbio. Débil quando pouco se consegue aproveitar. Mágico quando muito se aproveita.
Falando em acréscimos e "um gol daqueles que desvia de leve no zagueiro" e "mágico quando muito se aproveita", chego ao que de fato me motivou a escrever sobre o assunto. De novo, Turquia. De novo, Turquia X Croácia. Gol aos 16:16 do segundo tempo de uma prorrogação com tempo de acréscimo de 1 minuto é algo que por definição, convenhamos, não existe. Faz a continha, não existe. E ainda mais do jeito que se deu. Uma falha do goleiro Rüştü (não me perguntem como escrevi esse s com cedilha, trapaceei) acarretou em gol da Croácia aos 13 minutos do mesmo período. Juro que me doeu a alma; a Croácia jogou muito, mas a Turquia havia dominado freneticamente a partida inteira. Tomar um gol dessa forma e só restando 3 minutos para a decisão nos pênaltis é coisa de encabular Allāh. Mas, sem essa, pouco antes dos cabalísticos 16:16, Rüştü, quase no meio de campo, sapeca um chutão que faz a bola parar lá na casa do chapéu dentro da área adversária; daí, paulada, desvio e tchau. (Em imagens.)
O interessante é que um gol tão urgente assim só aconteceu por conta do gol tomado; provavelmente, se não fosse o gol croata, a partida, sem mais muitas emoções, iria naturalmente para os pênaltis. Sou bom em usar dizeres de forma errada (às vezes, costumo dizer "colher de madeira, espeto de pau" e aplicando ainda o que seria o ditado certo na situação um tantinho errada) e essa situação me parece ser uma variação um bocado torta do "a ocasião faz o ladrão". Ou de, como canta Nando Reis em "Hoje mesmo": "O filho (é quem) cria a mãe".
E não deixa de ser o bom e velho "não desistir" em sua mais pura essência. Sei que é difícil, mas é importante não deixar de escorregar os olhos por todas aquelas folhas, mesmo quando a vontade é de entregar logo tudo a Deus (ou a Allāh), pois, eu nunca vi, mas pode ser que o goleiro, baixinho que seja, desesperadamente desacreditado suba mais alto e cabeceie a pelota gordinha para os fundos do maleável quadriculado.
Tem gol que não existe, mas vale mesmo assim.
segunda-feira, 7 de julho de 2008
Futebol - O Fim (Outro pê-éssi)
Ainda Ronaldinho, ainda arte. Os primeiros 20 segundos bastam.
Futebol - O Fim (Um pê-éssi)
Em tempo, Ronaldinho Gaúcho é arte, pois, convenhamos, malabarismo é arte. Do Garoto Messi só se vê uma balangada no saco, aos 15 segundos de vídeo.
Futebol - Anotações II
(Caderninho, dia 22 de junho do ano passado - noite)
Aprendi algumas coisas jogando futebol. Coisas da vida. Não que as tenha compreendido. Aprendi a senti-las. Ou era só cansaço, não sei.
domingo, 6 de julho de 2008
Futebol - Anotações I
(Caderninho, dia 22 de junho do ano passado)
A bola é velha e o gramado já não há (ou nunca houve). Um garoto. Magro, moleque, suado, sem camisa. O pé pisa a poeira, que levanta. É diferente da bola high-tech que rola macia num gramado de um estádio que suporta oitenta mil pessoas. É diferente do homem. Forte, tático; suada é a camisa do logotipo que patrocina. A chuteira arranca um tufo da grama. É diferente demais. É como o sol ao longo do dia. Pronto, está explicado.
sábado, 5 de julho de 2008
Futebol - O Fim
No dia 19 do mês passado, Airton Monte publicou "Necrológio".
Começa com:
"De uma coisa infelizmente estou certo e muito me dói dizê-la: o futebol-arte está agonizando, está às portas da morte. De nada adianta vir com lamúrias, desculpas esfarrapadas, elocubrações táticas, botar a culpa nas patas dos técnicos ou no lombo dos jogadores. A grande verdade, embora alguns possam me considerar pessimista ou um renitente purista congelado no passado, é de que não há mais craques filigranando pelos gramados do mundo. A era dos virtuoses da bola acabou-se e estamos vivendo e sofrendo na pele a infeliz e tosca era dos bonzinhos. "
E termina num:
" O futebol está cada vez mais se tornando um jogo sem graça, não se vê mais espetáculo, mas somente uma triste caricatura do que foi em tempos idos. Entanto, estou conseguindo, com muita dor, deixar de enganar a mim mesmo por um ou outro raro lance excepcional, que são cada vez mais raros. O futebol virou 'ouro de tolo' e nossos craques vivem de aparências feito fantasmas que ainda não acreditam que já estão mortos e enterrados."
(O resto dessa crônica, e todas outras publicadas em sua coluna no caderno Vida & Arte do jornal O Povo, pode ser lido neste link. Recomendo leitura posterior de "As Palavras" - 17/06. É um inspirador incentivo a todos aqueles que se aventuram a escrever.)
Dada a força das palavras do poeta, não consegui deixar de concordar em tudo que vi ali escrito (deixo-me levar fácil se é belo e me cativa). Tanto concordei que, finda a leitura, olhei para o vazio entre mim e os objetos a minha frente e tudo insurgiu tão profundamente verdadeiro que segurei por uns instantes a interjeição "égua" na mente enquanto observava o vazio cada vez menos vazio (o vazio a esvaziar-se) e os objetos - seja lá o que isso signifique - cada vez mais objetos. Tanto concordei que, finda leitura, bem poderia ter dito "que descanse em paz" e baixado a cabeça enquanto, de olhos fechados, fizesse o sinal da cruz.
Mal sabia eu o que me aguardava no dia seguinte.
Dia 20, Turquia X Croácia. "Puta jogaço" seria suficiente dizer, se não estivesse escrevendo. Mas já que escrevo, me pergunto, aquilo não é futebol-arte? Não é? O que é aquilo? Não sei e não me arrisco. Só sei que me bateu uma frenesi enquanto assistia àquele jogo que de imediato me fez repensar (n)o que lera na véspera. A Turquia joga diferente. É rápida, a plenos pulmões, com vigor e vontade. "Bla, mas não tem arte!" podem dizer, e eis que surge sozinha, sem o meu intervir, a pergunta: E o que é arte? "Arte é Ronaldinho Gaúcho" dirão, ao mesmo tempo que alguém pipoca um "nada, aquilo é malabarismo"; "Arte é Falcão nas quadras de futsal", vá lá, dirão "idem, malabarismo"; "Arte é Zidane, que mata no peito enquanto corre a toda e gira para dominar a bola, dá um passe de 40 metros ou acerta no ângulo e de primeira um chute cavalar que Einstein profetizou só 2% da humanidade ser capaz de acertar" eu diria, mas alguém rebateria "Zidane é um careca cabeçudo". Tudo bem, deixa estar. Mas, se não é arte aquilo que a Turquia fez nesse e noutros jogos, é outra coisa que, difícil de ler, só se fala em turco, mas que, se traduzida para o português, não faz surgir outra palavra que não a que se negou. Arte, meus caros. Arte.