terça-feira, 16 de setembro de 2008

Aboaonda

De longe vejo se formar a boa onda. Lisa parede. Bela que só ela. Estou longe; contemplo. Apresso-me só para que ela perceba que eu desejei estar perto. Passam por mim os escombros dela. Passo eu por eles desejoso. Otimista.

O pensamento que me consola é irremediavelmente egoísta - perdi a boa onda porque outras mais me estão reservadas adiante - quem sabe... Saberei. (Mar caudaloso, as chances estão comigo.) Perdi a boa onda. Outras virão. Há males que vêm para o bem, não se sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Quem canta seus males espanta e, cantarolando uma qualquer, vou.

Onde quase já não dá pé, espero. Ondas, pouco aproveitáveis, nenhuma como aquela, vão-me tirando o fôlego a cada mergulho. (Mar caudaloso, as chances me abandonam.) Mas talvez uma onda, boa lisa parede bela que seja, recompense-me a paciência. Talvez - não, sequer talvez; o tempo em que estive a mergulhar, se aproveitada a boa onda, se levado fosse por ela até o raso, se levado fosse por ela até a areia enxuta, até a calçada lá perto da rua, seria-me suficiente para desapressadamente regressar ao ponto em que ora estava e, sem perdas, esperar.

Percebo-me intraquilo. Percebo-me desamparado. Derrotado. Amaldiçoo algumas, várias ondas. Almadiçoo aquela em especial. Amaldiçoo meu atraso. Almadiçoo-me a percepção e percebo então o aprendizado.

Não soube eu respeitar a incerteza, sólida verdade. Imaginei que o mar me satisfaria os anseios simplesmente porque poderia ser que sim. Ditei regras ao acaso. Mergulhados os pés, meu corpo inteiro n'água, dado o primeiro mergulho, o segundo, fiz-me parte do mar e me supus ele todo, fingi pensar por ele e me convoquei belas ondas. Ninguém veio. Percebo-me feito aquele que ao berço chora porque lhe falta colo e mimo. Silencio meu pensar. Boas ondas todas são.

Entendi o mar, o acaso, a incerteza - a inquietude liquefez-se. Em saída, reparo no céu. O azul. A nuvem distante e esparsa. O vazio. O sol. Grão de areia incadescente. Estrela-do-mar-do-céu. Dói-me a vista mirá-lo como mirei, baixo o olhar a tempo de ver os últimos torvelinhos d'água que me envolvem os tornozelos, ensaio estar a descobrir algo e eis que o ego me sussurra com sutil voz feminina, tudo para mim, tudo quero eu. Finjo entender, volto, de novo n'água, até a cintura mergulhado, perpassa-me uma corrente quente, sinto. Entendo. Duas vezes entendo.

Eu nem o mar somos os mesmos - passado o tempo que fosse, nada é sabido do que se daria em meu regresso se aproveitada a boa onda.

Eu nem o mar somos os mesmos - não há por que admitir a derrota se derrota não há quando não há competição.

Eu nem o mar somos os mesmos - perdão peço àqueles que amaldiçoei.

Eu nem o mar somos os mesmos - mergulho de novo, renovo-me, e convoco belas ondas.

Eu nem o mar somos os mesmos - tudo pra mim, tudo por mim, tudo sou eu, tudo quero eu.

Volto-me a tempo de ver ao longe se formar a boa onda. Lisa. Bela. Sorrindo, apresso-me.

domingo, 14 de setembro de 2008

A boa onda

De longe vejo se formar a boa onda. Lisa parede. Bela que só ela. Estou longe; contemplo. Apresso-me só para que ela perceba que eu desejei estar perto. Passam por mim os escombros dela. Passo eu por eles desejoso. Otimista.

O pensamento que me consola é irremediavelmente egoísta - perdi a boa onda porque outras mais me estão reservadas adiante - quem sabe... Saberei. (Mar caudaloso, as chances estão comigo.) Perdi a boa onda. Outras virão. Há males que vêm para o bem, não se sabe o dia de amanhã, o futuro a Deus pertence. Quem canta seus males espanta e, cantarolando uma qualquer, vou.

Onde quase já não dá pé, espero. Ondas, pouco aproveitáveis, nenhuma como aquela, vão-me tirando o fôlego a cada mergulho. (Mar caudaloso, as chances me abandonam.) Mas talvez uma onda, boa lisa parede bela que seja, recompense-me a paciência. Talvez - não, sequer talvez; o tempo em que estive a mergulhar, se aproveitada a boa onda, se levado fosse por ela até o raso, se levado fosse por ela até a areia enxuta, até a calçada lá perto da rua, seria-me suficiente para desapressadamente regressar ao ponto em que ora estava e, sem perdas, esperar.

Percebo-me intraquilo. Percebo-me desamparado. Derrotado. Amaldiçoo algumas, várias ondas. Almadiçoo aquela em especial. Amaldiçoo meu atraso. Almadiçoo-me a percepção e percebo então o aprendizado.

Não soube eu respeitar a incerteza, sólida verdade. Imaginei que o mar me satisfaria os anseios simplesmente porque poderia ser que sim. Ditei regras ao acaso. Mergulhados os pés, meu corpo inteiro n'água, dado o primeiro mergulho, o segundo, fiz-me parte do mar e me supus ele todo, fingi pensar por ele e me convoquei belas ondas. Ninguém veio. Percebo-me feito aquele que ao berço chora porque lhe falta colo e mimo. Silencio meu pensar. Boas ondas todas são.

Entendi o mar, o acaso, a incerteza - a inquietude liquefez-se. Em saída, reparo no céu. O azul. A nuvem distante e esparsa. O vazio. O sol. Grão de areia incadescente. Estrela-do-mar-do-céu.

Volto-me ainda. De longe vejo se formar a boa onda. Lisa parede. Bela que só ela. Estou longe; contemplo. Melhor assim.

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

Notas de Aula - O Fim

Acho que a série 'Notas de Aula' acaba aqui. O formato é legal, dá brecha para historinhas e opiniões curtas, mas já chega. É legal, mas não imprescindível.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Notas de Aula - Semana 4 - Dia 2º; Dia 3º

Ambos dias sem anotações.

"é impressão minha, ou as anotações de aulas estão ficando escassas? e com isso tb a sua freqüência, é? assim vc não passa no vestibular, mocinho."

Né, elas diminuiram sim. É, a frequência também. Acho que por eu estar mais disperso. Porque permiti-me ficar mais disperso. O início foi naturalmente mais intenso. Não conhecia os professores, queria conhecê-los. Estava aceso, alerta, crítico. Agora foco no que realmente não quero perder de vista. Ou no que muito me chama a atenção. Se fosse repetir as críticas primeiras, muito me alongaria. Não que não queira discorrer sobre esses "vícios". Muito pretendo. Mas é que as notas de aula são só... notas.

Não falemos de vestibular. Aí é que me alongo mesmo. Num piscar, estaria a discorrer sobre pedintes no sinal e o modo como os tratamos. Meu discurso sobre tudo é quase que uma coisa só.

Responde, raquel. Se tudo cair, o que se sustenta? Não precisa se afobar. Pode perguntar o que é 'tudo'. O que é 'cair'. Mas finge saber primeiro. Afinal, você sabe. Todos sabemos.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Notas de Aula - Semana 4 - Dia 5º

Parker - Física:

  • "Não copia nada ainda, só olha para o quadro, que agora vai ficar mais divertido."

    Vi gente soltar as canetas e cruzar os braços. Engraçado.



Golias - História:

  • "Soberania Popular" - Soa correto. Soa. Mas e a minoria que se cala?

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

N. de A. - S. 4 - D.1º (Parte 2ª), D.2º, D.3º, D.4º

Andes - Geografia:

  • "Mapas temáticos" - entre vários, havia o "Batimétrico". Ph me cutuca: "Ó o mapa do Batman". "O mapa do Batman ali, ó". Comédia, "Tô ligado, é tipo o mapa da bat-caverna, né..." digo.

    Mas inevitavelmente começo a matutar. O batman só é batman e tudo vira bat-coisas em referência a 'bat', 'morcego' no inglês. Morcegos vivem em cavernas, regiões profundas. E, sim, o mapa batimétrico serve para representar profundidade. Certamente o morcego anglo-saxão recebeu o nome 'bat' por este estar relacionado àlguma característica sua - no caso, o hábito de viver em ambientes profundos e com pouca luminosidade, suponho.

    Etimologia não é coincidência; as palavras, os nomes não são montados ao léu.

    Trigonometria nada tem a ver com trigo, mas bem poderia, não?

  • "Fortaleza, que fica a 2º 46' ao sul da linha do equador..."

    Olho para trás e digo para o Ph "égua, achei que era 3º 23'...". [E de fato achava; esse número me ficou na memória desde época do colégio, e sempre recorri a ele para justificar as chuvas, a quentura e o não-horário de verão daqui (conversas pelo sudeste...)]

    Não demora muito, Ph vem com a sátira. Mãozinha no queixo como de quem está pensando, solta: "Égua mah, 2º 46'... achei que era 3º 23'... Ah, se bem que tem o movimento das placas tectônicas...".

  • Questão sendo resolvida no quadro, algo sobre um passeio de barco numa rota triangular. Norte-Sul, perpendicular para lá, 30º para cá. Contaral.

    Ph comenta: "Égua mah, questão de matemática isso aí... Geografia só por que tem rio, é? Daqui a pouco, na prova de Biologia tem lá: 'Um animal se reproduzindo a 50 km/h...' ".

**

Cocada - Biologia:
  • Um pedaço de gravura bonita. Isso dá o quê? Já tive problemas com isso antes. Na época do caderninho. Eu encontrava uma "situação" notável e não sabia o que fazer dela. Texto? Versos? Música? E me doia.

    Mas peguei a manha. E é fácil. Basta não interferir.

    Inaugural vai ganhar mais um novo irmão.

**

Titanic - História:
  • "Mulher e amantes, juntos, amarrados e jogados ao rio" - Não queria tomar nota disso. Dá poesia. Sim, dá. Mas não minha.

  • "Empalado."

    Triste imagem.

    Que tal "empalavrado"? Aí, sim. Morreria era duas, três vezes. Se mais, melhor.

**

Tai - Biologia:
  • Desde já peço desculpas pelo linguajar. Mas foi assim que aconteceu.

    Falou-se de sanguessugas. Veio-me dúvida sincera. Dúvida com relação a terapia usando sanguessugas. Porque tem esse lance de não sentir a dor e tudo mais. Daí veio-me outra. E uma sanguessuga na língua? Deve lesar bastante, músculo, mó vascularizado e tal. Outra idéia me veio, mas não dei atenção. Nem precisou, no que comentei dessas duas perguntas que faria ao professor, Ph de sobressalto: "Eeei mah, imagina no pau!?". Eu, "Hehe, pois é, até pensei nisso também... Vixi mah, o pior é que tem os corpos cavernosos, a ereção depende da boa vascularização... Maaacho, a sanguessuga vai chupar sangue pra caralho! Eita! Pra caralho!!".

    Não deu outra. Fui tirar as três dúvidas com o professor. Com direito a trocadilho final e tudo.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 4 - Dia 1º - Parte 1ª

Tomé - Biologia:

  • "Útero não-gestacional possui cerca de 50 g; cabe na palma da mão." - Poesia. Ei-la:


  • Quatro versos (título provisório)


    tocar-te-ei o útero com as mãos

    não com as minhas

    mas com as do filho que é teu

    e meu


domingo, 24 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 3 - Dia 5º

Athos B. T. Skyler Ripilica - Química:

  • Mais uma para coleção. O nome do professor é o mesmo da marca de camisa que estou a usar.

  • "Assimilar o macete". Perdoem-me a indecência. Não confundir com "se melar com o cacete" ou "amaciar o...". Que feio.

  • Polimerização e o surgimento da vida, eu e a praia, eu e o mundo, a história e o passar do tempo, o feijão e o arroz, aquilo que importa e aquilo que está lá dentro, a tartaruga e o panda.

    Aquilo que não depende de nós.

  • Estamos no meio do caminho. Ou no começo. Pretenção é uma cilada. E o mundo não vai acabar. Mal começou.


Golias - História:
  • "Qual o marco pessoal? Qual o grande marco, o grande momento que determinou que não mais se discutiria o Feudalismo? "

    Vontade doida de gritar lá de trás "A queda do muro de Berlim!".

sábado, 23 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 3 - Dia 4º

Jojó - Geografia:

  • Lembro uma situação em que uma amiga se quis fazer cupido. Quis dar pitaco. Fazer-se de informada. Fazer-se de informante. Isso nunca sai legal. Ser confidente dá status parece. Pv bem soube traduzir esse querer tão recorrente - era-nos uma amiga em comum a da ocasião: "Tem gente que gosta. Eu prefiro dançar forró", disse. E é bem por aí mesmo. Eu prefiro jogar frescobol.

    (Editado) Putin, putin. Podendo fazer tantas outras coisas. Deve ter tanto livro russo legal pra ler. Tanta coisa legal pra fazer no gelo.

  • A gente cede porque tem medo. A gente se adequa porque acha que infelizmente é necessário. A gente segue a correnteza primeiro porque é forte demais. É difícil nadar contra, mas repare que passaste a nadar com ela. Coração endurecido. Levantaste a bandeira a contra-gosto, entanto agora vê tudo com malícia e sorri com raiva enquanto ela tremula no ar.

    Por que parar de contestar? Por que parar de fundamentar-se, de sentir, de questionar? Buscar os porquês das coisas é o que há. Ou machuca?


Pontes - História:
  • "Ilustríssimos, quem foi que descobriu o ouro no Brasil?"

    Bateu-me uma vontade doida de gritar lá de trás "Pedro Álvares Cabral!".

  • Há interessantes momentos nas aulas do Pontes. É quando ele diz "anote aí". Um mar de cabecinhas atentas mergulha nos cadernos e ainda mais atentas despejam pelas canetas o que lhes escorre dos ouvidos.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Um post para ninguém

Tem horas que os dias passam despercebidos.

Notas de Aula - Semana 3 - Dia 3º

Selton - Química:

  • "Uma formiga no Castelão" - Legal. Não sei o que dá.


Vadio - Literatura:
  • Bem sabem.


Titanic - História:
  • O mal da disputa política; O mal de toda forma de disputa. Nego toda forma de compet... thiaguinho, querido, mas tu só fala mal, só chuta o balde, faz só do que quer e não participa? Vota em branco, é? Aguarde...

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 3 - Dia 2º

Sem anotações.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Notas de aula - Semana 3 - Dia 1º

Carlton - Biologia:

  • "A febre..." - Poesia.
  • Genes inativos e aquilo que não somos - Prosa poética?
  • Dna lixo e a vida que levamos - Prosa poética?
  • Hoje eu dormi a aula toda... não prestei atenção em nada - Poesia.
(Essa anotação última não fui quem fiz. Foi-me um presente do meu caro amigo-parceiro-colega de todos os dias, raphael. Grande fanuelino, ponta-esquerda, camisa 7, conhecido também como Alexandre pHato. Fiquei muito feliz com a brincadeira. De fato tenho cochilado um pouquinho quando convém. Nota: comprar cadeado para caderno... )

sábado, 16 de agosto de 2008

Desconcerto

"coincidência: simultaneidade de dois acontecimentos; concordância; justaposição; identificação de duas ou mais coisas; acaso"


Não há por que muito matutar, não há jeito. Ao fim a lógica se rasga e os sentimentos nos traem. Resta a escolha. Acreditar, ter certeza, duvidar. E cada um é na verdade a mescla dos outros dois.

O conceito de simultaneidade ganha importância e 'coincidência' enquanto palavra perde força. Perde a carga esotérica. Pois significa tão somente que acontecimentos se deram em simultâneo.

O importante mesmo é o que se faz delas. Das coincidências. Elas sozinhas não fazem nada. Elas nos são o cenário.

Segundo meu conceito de simultaneidade, coincidência é o acaso; e o acaso enquanto agente transformador é na verdade uma personagem cega, surda e louca. Fala, mas ninguém entende direito.

Acontece com 'coincidência' algo similar ao que se dá com 'praticamente'. Quando algo é 'praticamente' impossível de ocorrer, fica-se com a idéia de que seja 'quase' impossível. Mas, não, trata-se de algo impossível de acontecer 'na prática' - não ocorre é de forma alguma. 'Coincidência' tem distorção análoga - ora 'incrível', ora 'mera' - e não sei qual que é a verdadeira.

Meus amigos, sobram búzios e cartas e velas no mundo que tentam entender por que assim é que se dá... e eu tento também - procuro na palma da minha mão e nos capilares dos olhos, nas melodias que sinto e ouço, no cheiro de tudo, no gosto do beijo e na memória... ah, na memória...

Não há mesmo jeito, tudo é coincidência e discutir isso é uma grande bobagem. Simultaneidade é uma imposição forte demais. As coisas acontecem e isso basta.

Nada é coincidência. "Sejamos todos clandestinos em nosso ser e íntimo pensar. Há mais sinceridade nas coisas que não se permite." Escolhi o vermelho-sangue, deram-me um um verde bonito. Verde das ervas-finas. Verde como a esperança. Verde como a esperança.

Segundo meu conceito de simultaneidade, coincidência não é puro acaso; longe disso - somos traços e rabiscos. Imagens e semelhanças que por igual ensaiam dos seus também. Rascunhos descontentes.

Muito preguei que as coisas sempre aconteciam da melhor maneira possível e só não nos dávamos conta disso. Foi um achado. Atirei no que vi, acertei no que não vi - se é que isso é uma coisa boa. Na época, traduzia um otimismo bobo e sem fundamentos teórico-práticos; era meu modo dizer ao mundo que eu estava contente com a vida que levava. E quando não mais estive, para onde foi a bonita frase? Neguei-a. "(...) acreditar que as coisas acontecem da melhor maneira possível é um clichê agradável que não me consola mais, mas que respeito." De fato, "Narciso acha feio o que não é espelho". Mas agora não mais. Sim, elas acontecem da melhor maneira possível. E justifico como puder. Com paixão para os céticos, com ripidez para os namorados, com embasamento científico para as crianças. Com crença, certeza e dúvida para mim.

Notas de Aula - Semana 2 - Dia 4º

Jojó - Geografia:

  • Enxergo uma brecha. Desregulamentação - é o que se prega agora, para que se conserve e intensifique o que já está. A história se repete como dizem e eu já enxergo o fim, um fim, por uma brecha eu vejo. A história se repete e diz que o trunfo final dos que cairão, a última cartada, em verdade é o trunfo primeiro dos que hão de ascender. Desregulamentação. Enxergo uma brecha.

  • O mal das licitações; O mal dos padrões; "Euestoupagando!". Não me rendo mais. Não vou me adaptar. Não vou ceder nem me adequar. Como já bem escrevi em notas perdidas: "nunca, nunca mais viver no piloto automático. Tudo tem uma razão de ser; cada palavra falada ou escrita. Cada gesto, cada erro. Nunca mais levar com a barriga sem propósito. Tudo tem uma razão de ser. Não é por convenção. Não faço mais nada por convenção. Nunca, nunca mais viver no piloto automático."

  • Entendi Gandhi.

  • Muito bom. Ótimas idéias, ótimos argumentos. Falta-lhe a obra.

  • Crescimento econômico é parâmetro de progresso por quê? Isso daria mais um texto do tipo "Sim ou Não, Justifique".


Pontes - História:
  • Os vícios e expressões denuciam-nos o íntimo pensar. "Petróleo, petróleo, petróleo, petróleo. O petróleo permitiu que Putin colocasse a Rússia em seu devido lugar." Lugar bastante devido, vê-se. Onde possa se impor, mandar, desmandar, oprimir. Isso não é lugar devido para ninguém. De novo, lembra-me Som ("Pode mostrar todo teu poder bélico, eu não quero. Ninguém nasce armado. Tu não nasceu armado. Eu não nasci armado. Por que vou-me armar então?").

  • "(...) Pagaria com a própria vida. Seus bens. Confiscados."

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 2 - Dia 3º

Selton - Química:

  • Ouvindo sobre mentes brilhantes, críticas e o mundo e suas competições, acho que entendi uma coisa legal. Gostei da aula.


Titanic - História:
  • Porque os diálogos somos nós quem fazemos. Tudo se dá dentro da caixa craniana, não? A cor da tua roupa sou eu quem dou. Você escolheu. Tentou. Mas a palavra final, a tonalidade, é toda minha.

  • Agora me está bem claro. Prego o Bairrismo Universal.


Vadio - Literatura:
  • Falou que ia tratar do enredo do livro. Escapuli-me.

quarta-feira, 13 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 2 - Dia 2º

Matos G. - Redação:

(Única aula que me rendeu uma, e ainda assim tímida, anotação.)

  • "Entre ti e ela." - Poesia.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 2 - Dia 1º

Leão - Matemática:

  • As armadilhas são muitas. Não sei se transcrevo o que ele acabou de dizer; não sei se conseguirei-me fundamentar sem páginas e páginas. Mas algo me sai: terrorismo funciona, porque o medo é real. Respeitemos o medo e procuremos saber sempre se o medo em questão é nosso ou do outro.


Tom - Matemática:
  • A Matemática é assim às vezes toda poética. A gente fixa o universo que quer.


Tomé - Biologia:
  • Planeta primitivo, 4.6 bilhões de anos, tempestades - Isso dá poesia.

  • O compromisso com verdades externas é um problema. Castra-nos, limita-nos, impede-nos de criar, de contestar, de propor absurdos que muito nos fazem sentido. Por vezes temos tantas das mais terríveis certezas que apostamos alto, juramos a Deus e ao Capeta e muito nos impacientamos com os que se fazem contrários, os que nos dizem errados. Num nada de tempo - o tempo sempre passou rápido quando já é hora - , irremediavelmente estupefatos, abobalhados, comprovamo-nos enganados. Permitir-se errar, os que o fazem são provas vivas de quem nem tudo está perdido.


Andes - Geografia:
  • "Tórrida" - a palavra sozinha já chama poesia.


Leitão - Física:

(Sem anotações.)

sábado, 9 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 1 - Dia 5º

Brando - Orientador Pedagógico (O professor faltou):

  • "O que diferencia o quadro de 50 reais de um de 500 reais, de um de 500 mil reais? Um detalhe. Só um detalhe."

    Não quero me alongar muito. Dinheiro é lixo; deixou de ter poder de troca para ter poder de expeculação. Arte não tem preço; dar valor é um erro, há de dar-se sentido. Minha arte não é maior, melhor, mais cara que a tua. Nego toda insincera forma de competição.


Parker - Física:
  • "Deus fez o mundo de tal maneira que os átomos vieram a ter essa propriedade."

    Fantástico.


Landau - Química:
  • Discurso inicial com a entoada de sempre. Péssimas idéias com bons argumentos. Ótimas idéias com os mais errados dos motivos.

    (Podem achar que estou querendo ditar a verdade e sendo muito taxativo. Nada. Minhas premissas são a felicidade e a sinceridade. Zelo para que minha verdade prevaleça. Mas o mesmo vale para o outro. Sempre.)


Golias - História:
  • "Somos iguais."

    Boa. Muito embora tenha a cara de quem se adequou bem, sem muitos conflitos ou dores. É simples, uma boa pessoa, muito respeitoso. Outro aliado?

  • Esse cara vive o que diz. Ele se dá em cada palavra. Certamente, ele se permite. Eis-me um aliado.


Letalis - Química:
  • Idéias erradas, bons argumentos. Sem novidades.

  • Péssimas idéias, ótimos argumentos. Acabou de defender a quebra de certo paradigmas mas em prol de outros piores, que carregam o cerne intensificado dos primeiros. Troca de 6 por duas dúzias.

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

Notas de Aula - Semana 1 - Dia 4º

Tai - Biologia:

  • Taxionomia muito me agrada. Revela o parentesco. A relação. Une.
  • A sala mudou. Primeiro foi a 105. Depois a 209. Agora é a 101.
  • Vou aprender latim.
  • Canis Sapiens Tartarulga Terrificus. Será o nome do meu cachorro. Acho que será um Dálmata de pintas caramelo. Ou pretas? Decidiremos em Assembléia Familiar.
  • Ler é decompor.
  • As algas foram plantas até antes de eu nascer.


Jojó - Geografia:
  • "Existe uma palavra frequente na nova ordem mundial que é 'Otimização'."

    Incrível. Essa palavra me fodeu por quanto tempo? O medo do desperdício. Ah, se ele complementasse esse discurso. Ajudaria tanta gente. Esses caras defendem boas idéias com argumentos incompletos, péssimas idéias com ótimos argumentos, idéias incompletas com bons argumentos, ótimas idéias com péssimos argumentos. Eu não cedo mais. Eu não vou me adaptar. O vestibular que se parta. Eu não vou me deixar partir.

  • Esse cara é um filho da puta muito sincero e seguro. Teremos boas conversas. Eis-me um aliado, acho.

  • Esse cara se permite. Eis-me um aliado.

  • "Corrida armamentista" - isso me lembra do Som, artesão amigo meu. Ele me disse algo como "Cara, não é todo mundo que vive nesse termo. Não é fácil viver no termo. Nessa proposta de arte. Eu decidi viver assim e assim eu estou. Eu acabaria sendo um psicopata, um ignorante se eu cedesse ao que me pediam. Mas não. Pode mostrar todo teu poder bélico. Eu não quero. Ninguém nasce armado. Tu não nasceu armado. Eu não nasci armado. Por que vou-me armar, então? Vou vivendo no meu termo, vivendo minha arte."

    Sim, Som é um artesão que taxamos de "hippie", que confundimos com mendigos, com marginais, dos quais temos medo, aos quais não damos atenção e contra os quais nos munimos de preconceitos. Digo "nós", mas já não me incluo aí. Conversem comigo, acompanhem-me à praia. Vejam-me fazendo uma compra, entrando numa loja. E permitam-se.


Carlton - Biologia:
  • "(...) pontes de Hidrogênio, que os químicos preferem chamar de interações, ligações de hidrogênio. Mas para mim tanto faz, eu não sou químico. " - isso dito com um sorriso de escárnio/ironia no rosto.

    Rótulos, competição, caixinhas, pouca sinceridade. Ê lai-á.


Damião - Matemática:

(Não assisti a essa aula. Estive só de corpo presente. Fiquei a ler.)



Daniel - Física:
  • O mundo carece de... não ouso completar a frase.


Pontes - História:
  • Engraçado que taxamos de imperfeições absurdas as mazelas do passado e teimamos em não nos permitir enxergar as contradições atuais. Muito se reclama da escravidão, do mercantilismo, da exploração colonial, dos desrepeitosos preconceitos que se impregnavam à sociedade. Mas, uma pergunta que descabida e fora de propósito parece, faço: quando o pedinte - criança, jovem, adulto, idoso; aleijado ou são - pede-lhe esmola, o que respondes? Quais as exatas palavras? Por que elas? Sabes? Percebes? Olha-o nos olhos enquanto fala? Olha-o ao menos? O que o pedinte é para você?

  • Tenho medo dos profissionais que seremos no futuro. Digo "nós", mas já não me incluo aí. E não me incluo não por acreditar ou ter a garantia de que serei um excelente, íntegro, responsável, ético, rentável, justo profissional. Mas, sim, pela certeza plena de que não o serei. Mais que isso, sequer "profissional" serei. O vestibular que pretendo prestar, o curso no qual pretendo estudar, o diploma que almejo são apenas o meu leve "ceder" às imposições mercadológicas. É uma consessão, para que não rompa de vez com todos os paradigmas, taxem-me de louco e passe a viver como meu amigo Som.

    "Mas louco é quem me diz e não é feliz."